quarta-feira, dezembro 09, 2009

TROCAS

Sempre me pego perplexa durante as festividades de fim de ano com a troca de presentes.
Vejo que é mais um reflexo, potencializado, daquilo que somos e como agimos com nossos pares,amigos e conhecidos durante todo o ano.
Essas trocas muitas vezes vêm vazias de conteúdo e não passam de mais uma das cem mil obrigações que vamos acumulando em nossas vidas, para manter, de forma capenga, relacionamentos unilaterais.
O que realmente estamos trocando no fim do ano e durante o ano inteiro?
Se observarmos bem, estamos sempre barganhando ao nosso favor (será mesmo?) apenas, e, que pena...
Queremos sempre o máximo investindo o mínimo possível.
Lucro é o produto final a ser conquistado, mas que lucro pode haver em relações unilaterais? Onde se aprende, onde se cresce, onde se reparte? No desgaste?
Quando lutamos e conquistamos, temos uma sensação de vitória, felicidade e conforto. Porém quando a conquista tem que ser diária, o cansaço nos vence ao que tédio e o desinteresse se seguem.
Vivemos numa sociedade de trocas e talvez ao contrário do que imaginemos uma ‘coisinha qualquer’ não tem outro valor que não o de ‘uma coisinha qualquer’ e ainda que de forma invisível, o desinteresse será computado, e, cobrado mais tarde.
Lembro quando criança de minha avó nos presentear em qualquer ocasião com um par de meias e uma lata de leite moça, ela padronizou a relação com os netos e nunca nos tocou intimamente.
Existem pessoas que têm tanta dificuldade de trocar, que compram presentes como se fossem para si, sem olhar de verdade para o outro, e aí, tanto faz o que tenha custado, a troca simplesmente nem existiu e relações sem troca podem até durar em aparência, porque temos uma incrível resistência a incertezas e às vezes achamos que mais vale um na mão.............
Será?

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