terça-feira, fevereiro 08, 2011

PICASSO

Estou com a alma lavada e enxaguada como diria Odorico Paraguaçu, com a crônica do Arnaldo Jabor na página dez do segundo caderno do Globo de hoje!
Quando li o titulo resolvi vasculhar porque na verdade eu não gosto muito do que você, Jabor, (perdão pela intimidade) escreve, do seu estilo sempre tão reclamão e mal humorado, ah me desculpe a pretensão e o tanto de água benta, mas talvez seja o tom tonitruante ou a escolha como símbolo sexual e, sinceramente, depois de tantos anos de trabalho, queimando as pestanas nas madrugadas, parece que foi tudo em vão.
Ficam na internet repassando aquela bobajada melosa que você já disse centenas de vezes que não escreveu, mas ninguém dá bola, querem que tenha sido você, querem te vestir com outra cor ou outro humor, mas acho que você tá fora, não tem nada a ver com o humor dessa gente, mas de repente cai nas minhas mãos que procuravam apenas o horário do cinema no segundo caderno o título bombástico: PICASSO NOS DÁ VONTADE DE VIVER! Ah, me deu realmente vontade de viver, de ler a crônica, e percebi de repente que tudo o que até aqui me distanciou de você se apagou e de repente pertencíamos a mesma tribo desde pequenos, você a mais tempo que eu, e tomara que na semana que vem eu continue achando isso porque me deu um certo alívio, desoprimiu meu peito e desopilou o fígado daquele amargor que as vezes têm as tuas palavras .
O Chico, meu filho do meio quando era bem pequeno foi comigo a Paris, quando o Centre Pompidour ainda era jovem e meu filho também, e lá, fomos brindados com uma retrospectiva completa ou quase, das obras desse Deus quase primata, quase Hanumam, que não podia ficar parado, que tinha todas as fomes do mundo e as saciava, mexia as mãos apenas, e colocava no lugar o que achávamos que já estava arrumado e no final da exposição, a do Centre Pompidour, o Chico perguntou:
-Mãe, aquelas pinturas lá no começo era a mãe dele que ajudava?
Picasso transformou toda a nossa lógica, todas as nossas incógnitas num risco apenas, ou em vários, mas em nada do que fez resta qualquer dúvida. O rabisco é muito claro.
Parabéns para nós todos que tivemos acesso a sua crônica de hoje! Volte sempre Arnaldo Jabor, com o peito aberto crivado de palavras que nos dêem vontade de viver. Obrigada!