sexta-feira, abril 22, 2011

autores de best sellers

às vezes é dificil controlarmos o preconceito quanto a certos autores de best seller, mas vale à pena olhar e ouvir
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/elizabeth_gilbert_on_genius.html

Os Trinta e Nove Degraus

Meio sem destino numa 5a feira de feriado passeio o dedo pela lista de filmes do jornal, mas nada interessa de verdade, passemos ao teatro então. Escola de Escândalos anda na mira, mas até agora nada. Talvez Maria do Caritó, quem sabe os Trinta e Nove Degraus de Alfred Hitchcock, um sucesso da Broadway estrelado aqui por Dan Stulbach. Decidido então, vamos aos degraus. Definitivamente o Dan Stulbach é O CARA. Bom de telinha, bom de telão, bom de palco veste suas falas e cenas como uma segunda pele às vezes de carneiro, às vezes de leão, tá muito bom. É um ator tão genial e completo que se dá ao luxo de ‘fazer escada’ com quem contracena, claro é que ninguém ali é novato e tudo parece uma farra em cena, mas é trabalho profissional dos bons. Os quatro atores no palco se desdobram em personagens principais e secundários e dialogam consigo mesmos e com terceiros, lembrando um pouco o Monty Python. Envolvem a platéia que no começo um pouco sem graça, muito pouco, aliás, vai tomando intimidades e de repente ELE desce do palco e ri e fala com todos, lá tão presente entre nós que parece até real. Danton Mello é bom de palco, a televisão talvez seja um espaço muito apertado para conter seu gestual. Fabiana Gugli, com licença da ignorância eu não sabia quem era, e, no entanto ela estava lá no Cheiro do Ralo e maravilhosamente presente, completamente perfeita no seu papel, mas aqui tem tantas faces e interpreta mais de uma que não se pode reconhecer, mas uma vez vista, jamais esquecida!
O Henrique Stroeter pra quem acompanhou alguma coisa dos parlapatões dispensa apresentação e o mais surpreendente foi chegar à bilheteria e descobrir que na quinta-feira pagava-se a metade. Teatro visto e aplaudido, barriga vazia a procura de um espaço com menos fritura, a Conde de Bernadote consegue cheirar até um quarteirão além, frito, frito, até pensamento. Caminhamos com tranqüilidade, embora aqui e ali a mídia nos alerte contra os perigos da cidade, a lua míngua nada perigosa guiando nossos passos e depois de uma conferida básica, entre lugares muito cheios ou muito jovens a decisão é pelo Juice & Co., perto de casa não compromete; sucos gostosos misturados ou não a álcool, comida honesta, sobremesa legal e no passado da hora não estava cheio e nem tinha tanta música que não se pudesse conversar. A noite ia se despedindo e com ela o aniversário da Nani que fomos comemorar e hoje antes de fecharmos o dia Espaço Moreira Salles que ninguém é de ferro e beleza nunca é demais! Bom feriado.

domingo, abril 17, 2011

Alimentando corpo e alma

O sábado foi regado a vinho chileno Casa Silva carmenére e petit verdot , ambos acompanhados de sanduíches muito saborosos e bem harmonizados, pena que a sobremesa não foi essa cocada toda porque é preciso um doce bem bacana pra fechar todo pão e vinho saboroso. Pena também que o lugar não confortou o espírito como talvez esperássemos. Tudo bem correto, mas carecendo de alma justo quando entre enlevadas e desconsoladas saímos eu e minhas amigas Nani e Silvana do filme Homens e Deuses que eu talvez não possa recomendar a todos, não porque eu não tenha gostado, mas pelos comentários que fui entreouvindo entre um bocejo e outro, entre um muxoxo e uma intervenção logo que um silêncio se insinuava. A Bia, Junqueira, atriz amiga, fala de silêncio nas suas aulas, de gestos tênues de olhares furtivos apenas, mas que valem por diálogos inteiros, e lá estavam todos esses sinais e uns quantos outros afagando a contrição de alguns de nós enquanto outros devaneavam em francês como se ali fossem os únicos que soubessem ler e falar ou como quiçá nós pequeninos mortais não pudéssemos escutar... O filme rodou muitas vezes mais em nosso pensamento um pouco embriagado de vinho e contentamento e depois, depois o descanso a que todo guerreiro tem direito e que é sempre necessário.
Isso tudo na véspera de domingo que sem lenço e nem documento terminou por nos levar para o centro da cidade dispostas que estávamos a desbravar uma Rua do Lavradio cheia de tesouros incontáveis, mas que para nossa surpresa apenas hiberna depois de um sábado atribulado. Ainda chegamos a tempo de ver uma garrafa de vidro se espatifando depois de um lançamento espetacular feito por um travesti na direção de quem o chacoteava. Mas se os ventos ali nos levaram, pra que discutir? Seguimos viagem.
Carro estacionado perto do Paço Imperial e a intenção era ficar, mas o Arco dos Teles tem uma sedução impressionante mesmo quando quase tudo está fechado, que não se pode e nem se quer resistir e fomos andando sobre pedras dantes pisadas por marujos e comandantes, mercadores e barões e só paramos para admirar o Cais do Oriente que é um restaurante lindo e quase à beira do cais, mas não completamente. Entramos por um bocado prometendo voltar para a sobremesa e já que ali estávamos porque não entrar no centro cultural dos correios por uns instantes? Fernando Pessoa e os heterônimos no segundo andar e no terceiro os poetas brasileiros e seus ilustradores, a visita não foi demorada, mas com a alma lavada fomos para a Casa França Brasil comer no bistrô minimalista, comme Il faut, espaguete de quinoa refogado com abobrinha, berinjela e cebolas, tudo finamente fatiado e servido com lascas de parmesão e escondidinho de camarão. A sobremesa foi uma orgia de pequenos doces mais interessantes do que propriamente gostosos, e para fechar o circuito uma browseada final no CCBB, o Sivuca ia aprontar lá, mas não deu pra ficar já ia ficando bem tarde e a lua cheia em libra já ocupava parte do céu da cidade avisando que o domingo estava por terminar...