domingo, outubro 24, 2010

Baaria, o filme

(AS RECEITAS ESTÃO NO BLOG http://chefcordonvert.blogspot.com )

Entradas compradas, pipoca em punho, fila discreta para a entrada porque o filme apesar de muito premiado está em exibição há algum tempo e eu distraída simplesmente esqueci que queria ver e procurando cinema pro fim de semana dei com ele ainda lá, bom sinal!
Saímos do cinema desopinados depois das quase 3 horas e ainda sem fome apesar do avançado da hora, mas com o pensamento fixo numa massa al dente e num vinho tinto encorpado.
Mais cedo durante minha caminhada fiz uma visita relâmpago ao Ana, literalmente braço direito do Artigiano no Jardim de Alah, fronteira entre Leblon e Ipanema, ambos colados um ao outro e para minha surpresa filhos do mesmo dono.
O Ana parece ser dos dois o mais sofisticado e eu tinha ficado de voltar para o jantar, mas quem ia se lembrar da ilustre quem? Num sábado à noite com o avançado da hora o máximo que conseguiríamos seria uma fila de espera enorme e quiçá um serviço atrapalhado que não valeria o risco, restaurante novo tem que ser experimentado com tranqüilidade. Com a fome ainda acanhada apesar da hora o melhor pareceu ser rumar pra casa e dedilhar despensa e geladeira em busca de inspiração.
A terrine de chévre feita dias antes e bem acondicionada foi salpicada com raspas de limão siciliano e acrescida de peras portuguesas cortadas em leque e cozidas em calda de açúcar e gengibre, acompanhada de mini agrião para a entrada.
Não tinha o coração de alcachofra que achei ter visto na prateleira, mas dei com uns vidros de champignons fatiados e va bene anche!
Fetuccini italiano número 18, grano duro, cozido na água e sal acompanhado de champignons salteados na manteiga e alho picado, incorporados ao pelatti no azeite, pitada de sal, alho macerado, salpicado por um discretíssimo punhado de orégano e tutti questo regado a azeite fina flor di origine controllata, finalizado por parmigiano reggiano, comme il faut (gente como se diz isso em italiano?...).
Pra arrematar saiu da caixa de carvalho o vinho que trancado a sete chaves esperava paciente a hora de exibir com majestade seu tom profundo e bouquet a altura de seus 14,5% . Chileno vindo em mãos direto da adega Santa Rita, (presente do Chico, meu filho do meio) uma reserva especial digna de suspiros profundos e estalares de língua com notas de cerejas e ameixas secas no final, absolutamente redondo acompanhando a terrine e a massa.
De sobremesa garimpei os últimos cantuccini caseiros que guardo em lata bem fechada, para serem mergulhados no late harvest gelado, aquele das peras, que faz muito bem as vezes de vin santo, próprio para sobremesa.
Na semana que entra, começa no Brasil um congresso sobre massas, mais um dos alimentos que cai em desgraça para depois ser reabilitado e que se tornou o atual protagonista de algumas dietas de famosos.
A propósito, hoje é o dia internacional das massas, então vamos a elas! Salute!