Chegamos muitas vezes à idade adulta tão despreparados e carentes que ficamos em dúvida na hora de tomar uma atitude que nos pareça mais dramática.
Alguns chegam a idade madura cronologicamente bem ambientados, provavelmente tiveram uma infância saudável, pais que os amaram, ambiente propício para crescimento saudável, mas quantos têm essa oportunidade? Basta olharmos para o lado e ver quantas pessoas criticamos por atos que consideramos inadequados diariamente.
Me pergunto se somos capazes de perceber que ainda que aparente o contrário, a inadequação não é uma circunstância que necessariamente agrade a quem nela se encontra, mas é preciso sobreviver.
Conheço mulheres valentes que poderiam virar o mundo de pernas para o ar com apenas uma das mãos, e, no entanto, apanham de seus companheiros. Conheço também mulheres que eram apenas carentes e terminaram por se envolver em relações que depois de algum tempo só lhes trouxe mágoa e abandono e ainda assim não conseguiram se libertar. Conheço ainda as que lutaram sozinhas pela vida de seus filhos e mais tarde, idosas, foram abandonadas por eles...
Escolhas só podem ser feitas baseadas naquilo que somos no momento em que é necessário escolher. Podemos mudar a todo o momento e depende do nosso momento, de como podemos transformar conscientemente aquele que se vê impotente diante da escolha naquele que se esforça por compreender que o que gera sofrimento só é reconhecido como inadequado se há distanciamento para analisar o motivo do envolvimento.
Quando criticamos a ação de uma pessoa devemos ter em mente que não é possível mudarmos a cabeça de ninguém, embora possamos ajudar. Talvez seja também útil pensar que opiniões variam de pessoa a pessoa o que torna a realidade um pouco mais relativa do que costumamos acreditar que seja. Nem todos pensam como nós e é preciso respeitar a opinião alheia. Não é necessário adotarmos nada que não queiramos, mas respeito é fundamental.
Muitas vezes no decorrer da vida nos deram limites demasiados ou nenhum e quando adultos talvez seja preciso nos readaptarmos, respondendo a uma realidade que depende unicamente de nossas escolhas que nem sempre são fáceis.
Sou tradutora consecutiva e literária e escrevi o romance Quatro Amores e Dois Finais em 2005 e artigos para os sites Estrela Guia, Feminice, Bem Leve e Bolsa de Mulher.
sábado, novembro 07, 2009
sexta-feira, novembro 06, 2009
''ONE MUST HAVE CHAOS IN ONE, TO GIVE BIRTH TO A DANCING STAR''...* (Frederich Nietzche)
Muitas vezes cegos a realidade circundante queremos manter o controle e o estado das coisas inalterado, mesmo com a festa acabada e as luzes apagadas, continuamos dançando como se nada tivesse mudado.
Mudanças não são necessariamente fáceis, mas ao longo do tempo podem se mostrar úteis e até mesmo agradáveis e na verdade, são inevitáveis.
A ordem aparente às vezes simplesmente mascara realidades difíceis de encarar e isso não apenas afeta aqueles que estão mais próximos, mas transforma gente em personagem da estória criada em detrimento da realidade.
Personagens são apenas figuras humanas representadas em obras de ficção, prisioneiras de um papel pré-estabelecido numa trama.
E quanto tempo a obra de um amador pode ficar em cartaz?
Talvez o tempo que preceda o caos.
Paredes construídas para defesa obrigam isolamento, e se do alto do muro construído pedras são oferecidas aos passantes, em algum momento na frente desse muro não passará mais ninguém e não haverá mais em quem jogar pedras e nem culpas.
Muitas vezes dedicamos o melhor de nós mesmos a pessoas que são impossíveis de agradar e que com o tempo passam a nos incinerar para alimentar seu narciso glutão.
Aparentemente têm vida própria, mas como trepadeiras que necessitam alcançar altitudes que não suportam, engolem árvores inteiras que passivas se deixam sugar.
É verdade que todos temos defeitos, alguns muito difíceis de suportar e não custa um pouco de tolerância em nome da paz, porém quando essa tolerância é infinita, talvez o beneficio seja nenhum.
Todos nós necessitamos de períodos de isolamento em algum momento de nossas vidas e precisamos abrir espaço para caos dando vida a uma nova ordem.
Quando não nos respeitamos, quando os limites não são claros, estamos vivendo uma personagem que vai inevitavelmente conviver com outras personagens e isso está longe de ser a vida real.
* o caos interno é necessário, para que uma estrela dançante possa nascer- Frederich Nietzche- (tradução livre-)
Muitas vezes cegos a realidade circundante queremos manter o controle e o estado das coisas inalterado, mesmo com a festa acabada e as luzes apagadas, continuamos dançando como se nada tivesse mudado.
Mudanças não são necessariamente fáceis, mas ao longo do tempo podem se mostrar úteis e até mesmo agradáveis e na verdade, são inevitáveis.
A ordem aparente às vezes simplesmente mascara realidades difíceis de encarar e isso não apenas afeta aqueles que estão mais próximos, mas transforma gente em personagem da estória criada em detrimento da realidade.
Personagens são apenas figuras humanas representadas em obras de ficção, prisioneiras de um papel pré-estabelecido numa trama.
E quanto tempo a obra de um amador pode ficar em cartaz?
Talvez o tempo que preceda o caos.
Paredes construídas para defesa obrigam isolamento, e se do alto do muro construído pedras são oferecidas aos passantes, em algum momento na frente desse muro não passará mais ninguém e não haverá mais em quem jogar pedras e nem culpas.
Muitas vezes dedicamos o melhor de nós mesmos a pessoas que são impossíveis de agradar e que com o tempo passam a nos incinerar para alimentar seu narciso glutão.
Aparentemente têm vida própria, mas como trepadeiras que necessitam alcançar altitudes que não suportam, engolem árvores inteiras que passivas se deixam sugar.
É verdade que todos temos defeitos, alguns muito difíceis de suportar e não custa um pouco de tolerância em nome da paz, porém quando essa tolerância é infinita, talvez o beneficio seja nenhum.
Todos nós necessitamos de períodos de isolamento em algum momento de nossas vidas e precisamos abrir espaço para caos dando vida a uma nova ordem.
Quando não nos respeitamos, quando os limites não são claros, estamos vivendo uma personagem que vai inevitavelmente conviver com outras personagens e isso está longe de ser a vida real.
* o caos interno é necessário, para que uma estrela dançante possa nascer- Frederich Nietzche- (tradução livre-)
quinta-feira, novembro 05, 2009
O TREINAMENTO DA MENTE SERVE EXATAMENTE PARA QUÊ?
Digamos que temos um comportamento empedernido de tal forma que nunca sequer passou pela nossa mente questioná-lo, mesmo quando sua repetição nos afasta de nossos objetivos, nos faz mal e incomoda.
Na verdade o mais comum é não reconhecermos um comportamento como vício, mas acharmos que “somos assim” simplesmente.
Costumamos ligar a idéia de vício a uma substância, sem pensar que o vício de comportamento é anterior a qualquer substância a qual possa vir a ligar-se ou não.
Acalmar a mente é um primeiro passo que damos em direção a perceber o que acontece conosco, coisa que não acontece do dia para noite. Exige algum treinamento e repetição. Exige experimentarmos e então aprovarmos, ou não.
Muitas vezes abraçamos idéias como se fossem nossas e nem as questionamos, ávidos que somos por encontrar soluções rápidas e às vezes passamos uma vida inteira sem saber quem realmente somos norteados apenas pelas opiniões alheias, repetindo comportamentos que talvez nos incomodem, mas achando que ‘’as coisas são assim mesmo’’, nos acomodando...
Temos dificuldade de crescer, virar adultos, amadurecer, afinal o tempo passa tão rápido...
Mas, tudo que tem começo tem meio e fim porque tudo se decompõe com o tempo.
Mais do que viver, parece que temos a obrigação de ser felizes e nos dispomos a qualquer coisa para alcançar essa felicidade.
Talvez seja essa a primeira cilada que nos leve ao vício, acreditar que podemos ter o total controle de todas as coisas e voluntariosos alimentamos expectativas que nos angustiam em nome da felicidade.
Repare de vez em quando se os ombros estão elevados, endurecidos, se a mandíbula está trincada. Esses são pontos de tensão no corpo que acabam desordenando a saúde.
Relaxe. Solte os ombros e a boca. Respire.
É possível fazer isso em plena atividade, não é preciso parar nada, apenas se distancie um pouco da tensão externa, se desligue por uns momentos.
Respire simplesmente.
A respiração é um excelente apoio para o relaxamento e está sempre presente, use-a a seu favor.
Na verdade o mais comum é não reconhecermos um comportamento como vício, mas acharmos que “somos assim” simplesmente.
Costumamos ligar a idéia de vício a uma substância, sem pensar que o vício de comportamento é anterior a qualquer substância a qual possa vir a ligar-se ou não.
Acalmar a mente é um primeiro passo que damos em direção a perceber o que acontece conosco, coisa que não acontece do dia para noite. Exige algum treinamento e repetição. Exige experimentarmos e então aprovarmos, ou não.
Muitas vezes abraçamos idéias como se fossem nossas e nem as questionamos, ávidos que somos por encontrar soluções rápidas e às vezes passamos uma vida inteira sem saber quem realmente somos norteados apenas pelas opiniões alheias, repetindo comportamentos que talvez nos incomodem, mas achando que ‘’as coisas são assim mesmo’’, nos acomodando...
Temos dificuldade de crescer, virar adultos, amadurecer, afinal o tempo passa tão rápido...
Mas, tudo que tem começo tem meio e fim porque tudo se decompõe com o tempo.
Mais do que viver, parece que temos a obrigação de ser felizes e nos dispomos a qualquer coisa para alcançar essa felicidade.
Talvez seja essa a primeira cilada que nos leve ao vício, acreditar que podemos ter o total controle de todas as coisas e voluntariosos alimentamos expectativas que nos angustiam em nome da felicidade.
Repare de vez em quando se os ombros estão elevados, endurecidos, se a mandíbula está trincada. Esses são pontos de tensão no corpo que acabam desordenando a saúde.
Relaxe. Solte os ombros e a boca. Respire.
É possível fazer isso em plena atividade, não é preciso parar nada, apenas se distancie um pouco da tensão externa, se desligue por uns momentos.
Respire simplesmente.
A respiração é um excelente apoio para o relaxamento e está sempre presente, use-a a seu favor.
quarta-feira, novembro 04, 2009
meditação e treinamento da mente
Nos últimos 13 anos tive a oportunidade e privilégio de ser tradutora e aluna de muitos mestres do budismo tibetano.
Desde então foram muitas palestras, retiros de curta e média duração com professores como S.S.Dalai Lama, Chagdud Rinpoche (meu professor principal), Dzongzar Khyentse Rinpoche,Mingyur Rinpoche, Jigme Rinpoche, Chogam Rinpoche, Chagdud Khandro, Lama Tsering, Lama Norbu, Lama Sherab, Ani Zamba, alguns dos quais traduzi em suas estadas no Brasil.
Em cada uma dessas temporadas pude, ao longo do tempo, perceber mudanças consideráveis em minha percepção e comportamento e hoje, depois do diversos treinamentos e técnicas aprendidas com eles acho que minha concentração e memória da atualidade estão em forma, minha saúde e alegria de viver também e acredito que relaxamento e meditação sejam ferramentas úteis para a vida diária, aqui nesse espaço o que ofereço é apenas o fruto de minha experiência como aluna desses professores.
Desde então foram muitas palestras, retiros de curta e média duração com professores como S.S.Dalai Lama, Chagdud Rinpoche (meu professor principal), Dzongzar Khyentse Rinpoche,Mingyur Rinpoche, Jigme Rinpoche, Chogam Rinpoche, Chagdud Khandro, Lama Tsering, Lama Norbu, Lama Sherab, Ani Zamba, alguns dos quais traduzi em suas estadas no Brasil.
Em cada uma dessas temporadas pude, ao longo do tempo, perceber mudanças consideráveis em minha percepção e comportamento e hoje, depois do diversos treinamentos e técnicas aprendidas com eles acho que minha concentração e memória da atualidade estão em forma, minha saúde e alegria de viver também e acredito que relaxamento e meditação sejam ferramentas úteis para a vida diária, aqui nesse espaço o que ofereço é apenas o fruto de minha experiência como aluna desses professores.
MEDO
Pensamos eu e meu filho em produzir um jornal na internet que tratasse de noticias agradáveis e às gargalhadas chegamos à conclusão de que começaríamos a carreira com a falência batendo à nossa porta.
Especulo se seria correto deduzir que todos gostamos de receber boas noticias e nos sentir seguros e felizes, e à partir dessa conclusão me pergunto: porque um jornal como esse estaria fadado ao insucesso?
Talvez por sermos movidos e alimentados diariamente pelo medo?
Com nosso instinto de sobrevivência ligado no standby durante grande parte do dia, ficamos impedidos de uma interação espontânea com o mundo e possivelmente com a realidade a nossa volta, em última instância nos privamos de uma intimidade maior conosco mesmo e com nossos desconfortos que vão sendo preenchidos com outras estórias que não nos pertencem e não nos deixam amadurecer e desenvolver talentos que poderiam, quem sabe, mudar nossas existências radicalmente.
É verdade que o mundo não anda nenhum mar de rosas, mas é possível que estejamos nos envolvendo muito mais do que o necessário com aquilo que não nos diz respeito, negligenciando o que seria bom desenvolver e assim, aquilo que temos de melhor, permanece adormecido.
Proponho um pequeno relaxamento, alguns segundos apenas, enquanto está de frente para a tela do seu computador ou ao volante ou em qualquer lugar, de forma natural onde ninguém sequer perceba o que está fazendo.
Repita muitas vezes ao dia, garanto que vai fazer bem!
Respire simplesmente, como sempre respira.
Mantenha a coluna ereta e se precisar encoste as costas no respaldo do assento.
Relaxe os ombros e os braços e se quiser feche os olhos.
Relaxe a boca e o queixo.
Sem deixar o corpo totalmente solto, tome consciência da parte superior do corpo, sem esforço, relaxadamente.
Mantenha os pés apoiados relaxadamente no chão e as palmas das mãos viradas para baixo, apoiadas nas coxas.
Tome consciência dos membros inferiores relaxadamente.
Dessa forma corpo e mente se unem conscientes do espaço que ocupam.
Respire simplesmente.
Observe o ar entrando e saindo.
Consciente da mente e do corpo deixe que os pensamentos surjam e desapareçam no ritmo dessa respiração tranqüila e regular, sem nenhum esforço, sem se fixar em qualquer pensamento, deixe apenas que apareçam e sumam, sem criar estórias nem legendas para nenhum deles.
Agora abra os olhos devagar e tome consciência do espaço a sua volta.
Pensamos eu e meu filho em produzir um jornal na internet que tratasse de noticias agradáveis e às gargalhadas chegamos à conclusão de que começaríamos a carreira com a falência batendo à nossa porta.
Especulo se seria correto deduzir que todos gostamos de receber boas noticias e nos sentir seguros e felizes, e à partir dessa conclusão me pergunto: porque um jornal como esse estaria fadado ao insucesso?
Talvez por sermos movidos e alimentados diariamente pelo medo?
Com nosso instinto de sobrevivência ligado no standby durante grande parte do dia, ficamos impedidos de uma interação espontânea com o mundo e possivelmente com a realidade a nossa volta, em última instância nos privamos de uma intimidade maior conosco mesmo e com nossos desconfortos que vão sendo preenchidos com outras estórias que não nos pertencem e não nos deixam amadurecer e desenvolver talentos que poderiam, quem sabe, mudar nossas existências radicalmente.
É verdade que o mundo não anda nenhum mar de rosas, mas é possível que estejamos nos envolvendo muito mais do que o necessário com aquilo que não nos diz respeito, negligenciando o que seria bom desenvolver e assim, aquilo que temos de melhor, permanece adormecido.
Proponho um pequeno relaxamento, alguns segundos apenas, enquanto está de frente para a tela do seu computador ou ao volante ou em qualquer lugar, de forma natural onde ninguém sequer perceba o que está fazendo.
Repita muitas vezes ao dia, garanto que vai fazer bem!
Respire simplesmente, como sempre respira.
Mantenha a coluna ereta e se precisar encoste as costas no respaldo do assento.
Relaxe os ombros e os braços e se quiser feche os olhos.
Relaxe a boca e o queixo.
Sem deixar o corpo totalmente solto, tome consciência da parte superior do corpo, sem esforço, relaxadamente.
Mantenha os pés apoiados relaxadamente no chão e as palmas das mãos viradas para baixo, apoiadas nas coxas.
Tome consciência dos membros inferiores relaxadamente.
Dessa forma corpo e mente se unem conscientes do espaço que ocupam.
Respire simplesmente.
Observe o ar entrando e saindo.
Consciente da mente e do corpo deixe que os pensamentos surjam e desapareçam no ritmo dessa respiração tranqüila e regular, sem nenhum esforço, sem se fixar em qualquer pensamento, deixe apenas que apareçam e sumam, sem criar estórias nem legendas para nenhum deles.
Agora abra os olhos devagar e tome consciência do espaço a sua volta.
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