sábado, junho 05, 2010

trem noturno para Lisboa

depois da página 80 o trem empacou, que pena....

Um encontro de amigas

São trinta mais ou menos, mas quase nunca todas se juntam na vez por mês que acontece o encontro.
Coisas pra dividir e trocar, conhecer e repartir, comer e rir.
Há sempre coisas, é sempre bom.
Na última, porém, um ato inusitado.
Um livro na mão pra presentear, mas dar pra quem?
"Gostei dele imensamente, mas são tantas"
...
Entre abril e maio é o aniversario de quase todas, engraçado.
Quem sabe um sorteio... Que ficou quase acertado, até que a meio caminho andado alguém soprou que em abril também faço aniversário.
Entre um obrigada e gente chegando, o livro foi colocado entre os outros muitos, espalhados pela cômoda e a mesa de trabalho.
Trem noturno para Lisboa chegou quando já lia outro e depois mais outro e se insinuou num espaço entre um quase pesadelo e um filme B, de madrugada.
Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo, dizia na capa, e não foi preciso usar muito número pra me dar conta de que se tratava de um best seller.
Na madrugada que tanto se vai fazer em casa? Escrever?
Peguei o livro pra folhear e resolver; são muitas as páginas, chato se tiver que parar no meio.
Na capa um comentário de Isabel Allende, na contra capa do Il Diário (Itália) e do Le Monde (França), nomes de peso, é verdade, embora eu sempre desconfie de filmes muito estrelados...
Ok, vá lá digamos. Óculos em punho e...
As páginas me abduziram até que cheguei na 37 e lá dizia, com todas as letras e palavras e em itálico que Marco Aurélio, o imperador romano,
um dia escreveu o seguinte:“Força-te, força-te à vontade e violenta-te, alma minha; mais tarde, porém, já não terás tempo para te assumires e respeitares. Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem. E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros... Aqueles, porém, que não atendem ao impulso da própria alma são necessariamente infelizes.”
Não lembro em que parte essa coisa de livro de auto ajuda começou a incomodar a todos, a expressão pejorativa deve ter sido cunhada para substituir a best seller... Tudo bem que alguns livros ferem sensibilidades, mas se vendem,há quem goste...
E, penso... Se um livro não operar qualquer mínima mudança depois de lido, talvez seja melhor apenas fazer palavras cruzadas.
Ademain que eu vou em frente