Barulhos podem ser como despertadores que nos trazem de volta pro agora nos momentos em que distraídos divagamos entre o passado e o futuro e quando percebemos já horas se passaram e temos quase uma obra completa publicada na cabeça, distraídos que vamos nos deixando levar.
Fiquei pensando depois que passei na porta do INES que um deficiente auditivo tem que manter constante um certo estado de alerta, estar bem presente naquilo que faz ou o que faz pode se tornar uma ameaça já que não é advertido por sons, enquanto nós que escutamos podemos nos dar ao luxo de estar completamente alheios a tudo e parecer que estamos ali, corpo e alma presentes, mas com a mente divagando.
O problema de estarmos entretidos com outra coisa que não seja o presente, é que estamos desperdiçando a vida tal como ela é em detrimento de divagações passadas ou planejando ações futuras que podem vir a ser ou não.
Tudo o que temos, o nosso campo de ação, está no presente, e como passa rápido...
No passado ou no futuro não podemos resolver e nem realizar nada, mas somos insistentes, é uma questão de hábito que quanto mais repetido mais se repete.
Como este é para mim um aprendizado recente nem sempre me lembro dele, então às vezes quando o barulho do trânsito ou de uma obra ameaça me irritar lembro que o barulho interrompeu apenas mais uma divagação, mais uma força do hábito, então paro e respiro.
Me concentro no ruido e escuto simplesmente.
Vou trocando de barulho à medida que um se sobrepõe ao outro, vou ouvindo e respirando no ritmo do som, até que som e respiração se tornam um e relaxo.
Respiro simplesmente e retorno ao momento presente.
Sou tradutora consecutiva e literária e escrevi o romance Quatro Amores e Dois Finais em 2005 e artigos para os sites Estrela Guia, Feminice, Bem Leve e Bolsa de Mulher.
quinta-feira, novembro 12, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
EM TERRA DE SURDOS QUEM TEM OUVIDO É REI
Esses dias andando por Laranjeiras passei em frente ao INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos) e me deparei com vários jovens conversando, numa conversa feita através de sinais apenas.
Quando se nasce surdo, naturalmente ‘’fica-se’’mudo, porque reproduzimos apenas aquilo que escutamos.
A audição é um sentido invisível.
Para aqueles de nós que escutam desde sempre, não há a menor noção da importância do ouvir para o crescimento pessoal e o papel crucial que tem a audição em nossas vidas.
Sem a audição a cor da vida é outra e a compreensão dos fatos também.
O som é a energia mecânica da vibração do ar, interpretada como audição.
Ouvir não é apenas escutar; implica numa interpretação ótima de sons levando à produção de pensamento e linguagem.
Dizem que em terra de cego quem tem olho é rei, mas isso vale igual ou mais em terra de surdos.
Todos já brincamos de telefone sem fio quando pequenos e sabemos que quanto maior o número de crianças envolvidas na brincadeira, mais as chances da mensagem original chegar truncada ao ouvido final.
Aparentemente a maioria de nós escuta bastante bem em circunstâncias normais, mas tenho cá minhas dúvidas, uma vez que cada um de nós interpreta uma ‘’mesma’’informação de maneira desigual.
Acho que no fundo temos todos um problema de audição.
Falamos mais do que escutamos e talvez escutemos ao final do jogo apenas a nossa voz, o que sem dúvida prejudica nossa interpretação e consequentemente nossa fala...
Quando se nasce surdo, naturalmente ‘’fica-se’’mudo, porque reproduzimos apenas aquilo que escutamos.
A audição é um sentido invisível.
Para aqueles de nós que escutam desde sempre, não há a menor noção da importância do ouvir para o crescimento pessoal e o papel crucial que tem a audição em nossas vidas.
Sem a audição a cor da vida é outra e a compreensão dos fatos também.
O som é a energia mecânica da vibração do ar, interpretada como audição.
Ouvir não é apenas escutar; implica numa interpretação ótima de sons levando à produção de pensamento e linguagem.
Dizem que em terra de cego quem tem olho é rei, mas isso vale igual ou mais em terra de surdos.
Todos já brincamos de telefone sem fio quando pequenos e sabemos que quanto maior o número de crianças envolvidas na brincadeira, mais as chances da mensagem original chegar truncada ao ouvido final.
Aparentemente a maioria de nós escuta bastante bem em circunstâncias normais, mas tenho cá minhas dúvidas, uma vez que cada um de nós interpreta uma ‘’mesma’’informação de maneira desigual.
Acho que no fundo temos todos um problema de audição.
Falamos mais do que escutamos e talvez escutemos ao final do jogo apenas a nossa voz, o que sem dúvida prejudica nossa interpretação e consequentemente nossa fala...
terça-feira, novembro 10, 2009
Geisy Arruda
Maria da Penha (também conhecida como Leticia Rabelo) Maia Fernandes virou lei de número 11.340 em 7 de agosto de 2006.
Continuamente agredida, Maria da Penha foi durante seis anos vítima do marido, sofrendo em 1983 uma tentativa de assassinato com arma de fogo que deixou-a paraplégica.
Depois disso ela ainda sofreu outro atentado; dessa vez ele escolheu eletrocução e afogamento na tentativa de assassiná-la.
Esse homem só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado.
O que nós vimos em São Paulo foi uma demonstração de vandalismo inominável, de desrespeito absoluto, e, feliz ou infelizmente deixou de bunda de fora a venda de diplomas a varejo que é feita por atacadistas da educação.
Porque o país é mal educado? Porque um diploma a qualquer preço ‘’define’’ a capacidade de um cidadão!
Fechar os olhos para a expulsão de Geisy seria conivir com um comportamento animal contra o qual as mulheres vêm lutando há séculos!
Não vamos esquecer que até bom pouco tempo nós mulheres tínhamos acesso negado a escolha de concepção ou não, que diz respeito diretamente a nós!
A pílula é uma conquista recente, assim como o voto feminino.
Mulheres, não há muito tempo,eram impedidas de atuar no teatro como atrizes.
Ao invés disso, homens travestidos as representavam no palco.
Mulheres escreviam sob pseudônimos masculinos, mulheres não assumiam papéis políticos ou executivos e nem usavam calças compridas, eram mantidas na cozinha...
Sofremos durante séculos toda a sorte de agressão física e moral, e talvez apenas por competitividade mulheres durante séculos foram tratadas como cachorrinhos de estimação a quem homens às vezes se lembravam de atirar uns ossinhos!...
Para a uniban teria sido mais lucrativo punir uma moça de 20 anos que ‘’feriu a ética da universidade’’do que tomar qualquer atitude contra setecentos vândalos que alimentam seu apetite pantagruélico na venda de diplomas de valor discutível...Mas..
Continuamente agredida, Maria da Penha foi durante seis anos vítima do marido, sofrendo em 1983 uma tentativa de assassinato com arma de fogo que deixou-a paraplégica.
Depois disso ela ainda sofreu outro atentado; dessa vez ele escolheu eletrocução e afogamento na tentativa de assassiná-la.
Esse homem só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado.
O que nós vimos em São Paulo foi uma demonstração de vandalismo inominável, de desrespeito absoluto, e, feliz ou infelizmente deixou de bunda de fora a venda de diplomas a varejo que é feita por atacadistas da educação.
Porque o país é mal educado? Porque um diploma a qualquer preço ‘’define’’ a capacidade de um cidadão!
Fechar os olhos para a expulsão de Geisy seria conivir com um comportamento animal contra o qual as mulheres vêm lutando há séculos!
Não vamos esquecer que até bom pouco tempo nós mulheres tínhamos acesso negado a escolha de concepção ou não, que diz respeito diretamente a nós!
A pílula é uma conquista recente, assim como o voto feminino.
Mulheres, não há muito tempo,eram impedidas de atuar no teatro como atrizes.
Ao invés disso, homens travestidos as representavam no palco.
Mulheres escreviam sob pseudônimos masculinos, mulheres não assumiam papéis políticos ou executivos e nem usavam calças compridas, eram mantidas na cozinha...
Sofremos durante séculos toda a sorte de agressão física e moral, e talvez apenas por competitividade mulheres durante séculos foram tratadas como cachorrinhos de estimação a quem homens às vezes se lembravam de atirar uns ossinhos!...
Para a uniban teria sido mais lucrativo punir uma moça de 20 anos que ‘’feriu a ética da universidade’’do que tomar qualquer atitude contra setecentos vândalos que alimentam seu apetite pantagruélico na venda de diplomas de valor discutível...Mas..
domingo, novembro 08, 2009
REALIDADE?
Participei há mais de um mês de palestras de um grande mestre budista; Mingyur Rinpoche, que dentre as muitas coisas sábias que nos falou, apontou para dois dos sofrimentos básicos desta vida: um derivado do nascimento, envelhecimento, doença e morte e o outro, criado por nós, relativo às emoções e ilusões que alimentamos em relação às coisas que acreditamos serem verdadeiras por si mesmas.
Nada é verdadeiro por si mesmo,quer dizer: sem qualquer influência externa, senão vejamos...
Ao olhar para um copo acredito que ele tenha sempre existido como tal, porém isso é uma percepção superficial da realidade.
Um copo existiu primeiro na forma de idéia.
Alguém, talvez por necessidade, tenha imaginado um recipiente para colocar água e beber, depois imaginou a forma que teria e que uma vez imaginada necessitou juntar componentes para sua composição até que forma e conteúdo ideais fossem agregados para criar um objeto físico.
Nesse estágio talvez já tivessem batizado o objeto com o nome copo, de forma que quando esse objeto chegou até nós, formado primeiro por uma idéia, depois por uma forma e a seguir por um nome, achamos que foi copo o tempo todo desde o começo, sem as etapas necessárias desde a idéia primária até a sua composição final, e é dessa mesma forma que julgamos as aparências que chamamos de realidade em nossas vidas.
Acreditamos que a aparência represente uma verdade final em si mesma e não uma série de eventos e condições que sob circunstâncias especificas toma certa forma.
Complicado? Aparentemente sim, mas podemos averiguar esse movimento de forma prática em nosso cotidiano.
Aqui entra o exemplo do segundo sofrimento, aquele sofrimento que criamos por não darmos um espaço, um distanciamento entre a ação e a reação.
À medida que agimos impulsivamente, recorremos de forma repetitiva a um banco de dados emocional que já pode estar ultrapassado há muito tempo sem que tenhamos percebido, e nesse ritmo ficamos defasados, parados no tempo, sem amadurecer o suficiente para compreender o que realmente está se passando à nossa volta.
Para enfrentar novos desafios é preciso dar espaço a novas idéias, o que definitivamente depende de nossa disponibilidade.
Gosto muito de um comercial da TV que diz que o mundo não tem respostas a nos dar, mas perguntas a oferecer.
Nada é verdadeiro por si mesmo,quer dizer: sem qualquer influência externa, senão vejamos...
Ao olhar para um copo acredito que ele tenha sempre existido como tal, porém isso é uma percepção superficial da realidade.
Um copo existiu primeiro na forma de idéia.
Alguém, talvez por necessidade, tenha imaginado um recipiente para colocar água e beber, depois imaginou a forma que teria e que uma vez imaginada necessitou juntar componentes para sua composição até que forma e conteúdo ideais fossem agregados para criar um objeto físico.
Nesse estágio talvez já tivessem batizado o objeto com o nome copo, de forma que quando esse objeto chegou até nós, formado primeiro por uma idéia, depois por uma forma e a seguir por um nome, achamos que foi copo o tempo todo desde o começo, sem as etapas necessárias desde a idéia primária até a sua composição final, e é dessa mesma forma que julgamos as aparências que chamamos de realidade em nossas vidas.
Acreditamos que a aparência represente uma verdade final em si mesma e não uma série de eventos e condições que sob circunstâncias especificas toma certa forma.
Complicado? Aparentemente sim, mas podemos averiguar esse movimento de forma prática em nosso cotidiano.
Aqui entra o exemplo do segundo sofrimento, aquele sofrimento que criamos por não darmos um espaço, um distanciamento entre a ação e a reação.
À medida que agimos impulsivamente, recorremos de forma repetitiva a um banco de dados emocional que já pode estar ultrapassado há muito tempo sem que tenhamos percebido, e nesse ritmo ficamos defasados, parados no tempo, sem amadurecer o suficiente para compreender o que realmente está se passando à nossa volta.
Para enfrentar novos desafios é preciso dar espaço a novas idéias, o que definitivamente depende de nossa disponibilidade.
Gosto muito de um comercial da TV que diz que o mundo não tem respostas a nos dar, mas perguntas a oferecer.
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