sexta-feira, dezembro 04, 2009

ENVELHECENDO

Tem gente que usa sofismas tais como 3ª idade, melhor idade, mas sem a marca fantasia o nome é envelhecimento simplesmente. E como diz o João Ubaldo, não encerra necessariamente sabedoria alguma, senão o peso da idade apenas.
E como a múltipla escolha não é exatamente atraente, pode-se tentar aceitar a chegada do tempo graciosamente.
Percebo que alguns idosos vão a bancos e supermercados como tarefa diária e usam deliberadamente a fila comum alegando que a especial é mais longa.
Talvez onde eu more a estatística revele que os cidadãos acima de 65 anos são uma maioria, mas acho que não é bem assim. Talvez o que já não suportem é ouvir as queixas de alguns idosos rabugentos, então vão para as filas comuns e... se queixam. Aleatoriamente, talvez na esperança de encontrarem ouvidos que os escute, quem sabe?
Alguns, estressados, não podem perder nem um minuto de seu tempo e numa ladainha incessante criticam os empecilhos que travam seu caminho, a lerdeza do caixa que se tivessem reparado quem era antes de entrar na fila, teriam evitado, já que o tal funcionário fala com todos, sorri para todos e ainda perde um tempão procurando troco. A ineficácia do sistema, enfim... eles têm pressa, muita pressa, o que faz parecer que são parte de uma população freneticamente ativa.
Mas quando dali saem, o que será que fazem?
Envelhecer é apenas um dos muitos estágios pelo qual nossa vida passa. Precisa talvez de um pouco mais de paciência, menos exigência e quem sabe, mais sabedoria.
O tempo se encarrega de pontuar nossas vidas, não importa quem sejamos.
Alguns minutos usados para o descanso e a reflexão silenciosa ajudam corpo e a mente a se atualizarem num ritmo possível de acompanhar e transformam o humor e a maneira de receber e perceber as coisas com mais tranqüilidade, mais imparcialmente.
Criar um espaço tranqüilo onde o medo não seja o mais constante companheiro e onde se possa desfrutar da própria companhia pode ser muito refrescante e nos ensinar aos poucos a conviver com perdas que são inevitáveis.

segunda-feira, novembro 30, 2009

VÍCIO

Lembro de ter ficado surpresa quando a ex-mulher de Michael Douglas pediu o divórcio alegando que ele era adicto a sexo. Depois de anos de casada e ter tido filhos com ele o que realmente a incomodara a ponto de abrir dessa forma sua privacidade para a imprensa ávida por fofocas?
Traição certamente.
A adição tomara contornos além do permitido e a exposição talvez tenha sido a única forma que encontrou para se defender do ‘puritanismo’ americano sem ser crucificada.
Não é muito fácil aceitar que todos temos comportamentos viciados, a substância que se segue a esse vício é que nos torna socialmente condenáveis ou não.
Criamos um Deus para imolar, porém muito antes de alcançarmos as condições necessárias para reproduzirmos sua imagem e semelhança tornamos Deus tão humano a ponto de criar adesivos e camisetas com dizeres que o tornam apenas um colega, ou então nos tornamos fundamentalistas sob alegação de o estarmos protegendo.
Me pergunto se sem essa defesa Deus conseguiria sobreviver...
O que não nos liberta do vício talvez seja trocar um vício por outro simplesmente.
Em busca da cura, a meio caminho ou desde o começo talvez eu me vicie no que deveria ser meu remédio. Talvez me vicie no terapeuta, ou no médico ou no pastor ou no mestre, esquecendo novamente que o que me levou a uma nova tentativa foi tentar compreender aquilo que me aflige, a necessidade de ser eternamente satisfeito, (eternamente criança?!)
Porque senão vejamos: à medida que crescemos e nos tornamos adultos, a experiência da infância inevitavelmente se desfaz e na tentativa de trazê-la de volta ou evitá-la, não deixamos que o processo natural de amadurecimento aconteça em sendo assim, simplesmente não podemos nos curar.
Num gesto extremo de recriar uma infância que não teve, Michael Jackson inventou para si a terra do Nunca, o universo do Peter Pan, do menino que nunca cresce.
Muitas vezes o que aparentemente nos traz felicidade é o que nos aprisiona e angustia.
Talvez muitos poucos de nós tenham alcançado a felicidade verdadeira e se não se tornaram seres idolatrados, foram desprezados como exemplos de fracasso.
Vagamos como uma horda de crianças perdidas que não aceitam ser contrariadas e ao longo dos anos nos tornamos experts(ou viciados?)em opiniões que muitas vezes nem sequer refletem nossa realidade.
Impensadamente e apenas no intuito de sermos felizes, vamos criando estragos externos e internos por onde passamos e o que é mais triste é que já podemos ter perdido o expresso 2222 por que não enxergamos sua passagem, mas o tempo é impiedoso, passa.