Há mais ou menos dois anos escrevi esse artigo para um jornal do Rio Grande do Sul e ontem Kiribati mais uma vez foi lembrada durante a Conferência do Clima das Nações Unidas.
Não, não foi para anunciar que a vida melhorou para os habitantes de Kiribati, ao contrário.
O mar continua avançando pela ilha adentro e já levou dos jardins da irmandade protestante, onde vive Pelenise Alofa Pilitate,18 dos 20 coqueiros e sua horta simplesmente desapareceu tragada pelas águas.
Pelenise hoje é a manchete de jornais. Como líder comunitária vem promovendo ações de sobrevivência na ilha.
Você conhece Kiribat?
Uma pequena nação insular do Pacifico Sul com 97.000 habitantes, formada por 33 pequenos atóis sucumbe gradativamente ao aquecimento global. Foram diversos os apelos de seu presidente para que as nações desenvolvidas fossem mais responsáveis no uso e abuso de gases poluentes emitidos na atmosfera e como até aqui não obteve sucesso fez um apelo internacional no dia mundial pelo meio ambiente, para evacuar seu país antes que ele desapareça. Mas sinceramente, como é mesmo o nome do país e de seu presidente?...
O que nos faz melhores ou mais importantes? Que valores nos fazem decidir lutar por uma causa e que escolhas fazemos quanto a salvar quais vidas?
Com a visão imediata de progresso em curto prazo não deixaremos nada para uma possível geração futura.
Somos saqueados diariamente não só em nossas riquezas minerais, mas em riquezas muito mais fundamentais; o ar que respiramos, a água que precisamos beber e a solidariedade pela vida seja de quem for. Compramos em suaves prestações o terceiro televisor e é claro, nos trás conforto e emprega mais gente e com isso a indústria floresce, polui e emprega a U$1 por hora pequenas crianças chinesas, tailandesas e se possível fosse, as de Kiribati.
Quantas vezes escutamos a máxima: “todo ser humano tem direito à vida”, mas quais, cara pálida?
Somos um universo interdependente e nos negamos a reconhecer esse fato.
A extinção de Kiribati ou da floresta da Sibéria não afeta apenas essas regiões, mas o direito à vida de todos.
O conforto do mundo moderno trouxe consigo problemas insolúveis que precisam de mais pesquisas para oferecer melhores respostas, mas cada um de nós em seu pequeno universo pode no mínimo se perguntar antes de uma próxima compra: será que eu preciso mesmo?
http://www.kiribatitourism.gov.ki/
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