domingo, abril 03, 2011

O ar que se respira

É impressionante pensar que o elemento fundamental que nos mantém vivos é a coisa mais simples e disponível desse mundo, o ar, mas assim mesmo não sabemos respirar. Várias terapias corporais e técnicas de meditação nos ensinam e não devia nem ser preciso, que respirar é vital e assim mesmo, sabendo disso, nos esquecemos como se faz.
Há alguns anos voltei a sofrer de asma, fui asmática quando criança assim como meus primos e irmãos, a condição durou alguns anos, se foi e me esqueci como era.
Um dia de repente, há mais ou menos 3 anos comecei a sentir uma agonia inexplicável e no começo não entendi exatamente a condição do meu desconforto até que de repente percebi que era falta de ar; mas tinha vindo de onde essa visita inesperada depois de tantos anos? Pneumologista, alergista, endócrino, ginecologista e pesquisas, muitas pesquisas. Algumas dão conta que no remexer hormonal isso pode acontecer, pode vir para ficar ou ser uma condição de curta temporada, outros evocam alergias como potenciais responsáveis, mas as vezes a gente subestima o indefectível emocional que com certeza ataca quem é ou
“já foi”asmático, assim entre aspas mesmo porque aparentemente não existem ex e nem curados, mas
“condições favoráveis temporárias” que aliviam asmáticos da falta de ar.
Com a respiração cada vez mais curta e com viagens programadas para longo fôlego resolvi procurar uma terapeuta pulmonar, quando chegou acessou todas as faces da minha falta de ar e passamos aos exercícios práticos.
Não respirar de forma correta pode acarretar e agravar muitas situações físicas que nem pensamos possam ter ligação com o respirar, mas afinal não é o ar que nos mantém vivos? Então tem a ver. Não respirar direito pode ter como causa e também causar estresse, medo, tristeza, ansiedade e claro, doenças bastante mais graves.
Não oxigenar o corpo de maneira correta nos impossibilita até de pensar, e foi assim que hoje aos cuidados de mãos capacitadas, oxigenando o cérebro depois de tanto tempo hipóxico que me dei conta de que o ar me faltou há uns três anos atrás quando me senti sufocada por uma situação inusitada com a qual me deparei sem saber como lidar, aí a respiração ficou presa e sem espaço para sair ou entrar, ficou curta e sem fôlego como à espreita, não saía do peito e não circulava ficava no susto, na iminência da necessidade de uma possível ação rápida.
Talvez não seja a coisa mais fácil do mundo respeitar o ar que os outros respiram assim como não é fácil reagirmos quando nos falta o ar, principalmente se a falta tem remédio paliativo ou se é de alguma forma controlável, mas a verdade é uma só: quem precisa que o ar falte até não poder mais respirar? Eu to feliz como pinto no lixo reaprendendo a respirar e recomendo nesses tempos bicudos, tensos e poluídos que se respire a plenos pulmões saboreando absolutamente tudo o que a vida nos traz, porque até as coisas que nos parecem as mais triviais como o ato de respirar tem atualmente um valor incomensurável.