Acordei com a sensação de que alguém dentro de mim pedia socorro, o pedido era ainda um pouco fraco, mas audível. Esse alguém, pasmem, foi encarcerado pelo super-homem em pessoa! Um doido é claro, travestido de roupa azul com capa esvoaçante e músculos poderosos, embora possa estar vestido de qualquer outra coisa a qualquer hora, trata-se na verdade de um “Maria-vai-com-as- outras”.
Inferi hoje que o ego não passa de uma personalidade alterada do mim, um caso de dupla personalidade espaçosa, um preview das gêmeas Ruth e Raquel da novela Mulheres de areia, que como todo doido tem que ser tratado com cautela, sem contrariar, todo cuidado é pouco.
Então pela primeira vez compreendi perfeitamente bem para o que serve a meditação, compreendi o que significa o termo “mente fabricada”.
É possível brincar de bom ou mau moço para efeito externo por um tempo incrível, às vezes por uma vida inteira, mas cá entre nós quem é que realmente está interessado nisso a não ser o super-homem? E enquanto damos asas a ele, mais ele vai nos alimentando com criptonita e quanto mais alto ele voa mais a nossa capa fica furada e o nosso vôo limitado.
Na meditação a gente primeiro acalma a avalanche de pensamentos e vai deixando o batimento cardíaco diminuir, até ficar quase com frio. Tira o foco de tudo que não está ali naquele momento, observa quieto, como quem vê um filme de suspense onde cada cena é crucial para o entendimento do enredo total. Olha com certo distanciamento pra compreender como funciona, o envolvimento atrapalha. Se envolveu? Volte uma casa no tabuleiro para observar o enredo com distanciamento, preste atenção em como respira.
Se esqueceu da respiração? Cuidado pra não ficar sem ar.
Teoricamente deveríamos ser os nossos melhores terapeutas uma vez que não há quem nos conheça melhor do que nós mesmos, mas o que nos impede? O envolvimento, a falta de distanciamento, a danada da criptonita, a paixão como síntese de aversão e apego.
Não conseguimos observar nada sem envolvimento apaixonado, não conseguimos deixar os modelos pré-consagrados em detrimento de uma visão menos apaixonada e habituada a padrões do isso é assim e aquilo é assado, porque eu já vi esse filme antes e sei como vai terminar, sabe nada. Na verdade podemos repetir a fita um sem número de vezes, mas nossos olhos já não serão os mesmos na segunda ou na centésima audição, apenas nos sentimos mais seguros quando achamos que se trata de uma repetição, uma coisa já conhecida e que, portanto, tem um padrão a ser seguido para dar certo ou errado e se por acaso a resposta não se repete é fácil culpar alguém ou a sorte, e como de chef todos temos um pouco vou agora pro outro blog .
http://chefcordonvert.blogspot.com
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