quinta-feira, novembro 11, 2010

E se?

Estou lendo um livro e uma certa ansiedade me assalta já de cara apesar de observar que todas as hipóteses nele levantadas até aqui levam a crer que os cientistas que o escreveram caminharam na direção certa e que no final respostas ou perguntas estarão nas folhas que se seguem para juntado um quebra cabeças ter dúvidas satisfatoriamente sanadas, mas por quanto tempo?
Como está muito bem colocado no livro desde o começo, um objeto oculto de conhecimento autoriza “conhecedores de experiências” a falar sobre situações de um lugar que absolutamente desconhecemos, mas que eles como observadores científicos estão autorizados para tal. Estudaram anos para isso e estão, portanto, abalizados para teorizar e comprovar, muito bem por sinal.
O assunto é religião e ciência, não como campos opostos, mas como possíveis aliados e ilustrando a trajetória de seu entrelace através dos séculos.
De uma certa forma ao escolher esse título e começar a caminhar por suas páginas com muita atenção e pouca cautela, sou atacada por uma meio crise de ansiedade que apenas um chocolate suíço já totalmente descascado de todas as vestes numa mordida tranquilizante pode salvar, pronta a me libertar do “e se?”... Cesar, um amigo, diz que tudo me remete a comida, o que acho razoavelmente coerente.
Em certos momentos fica tudo muito claro e angustiante, ciência, religião e filosofia podem me ajudar a ter certezas temporárias, mas o que realmente faço com certezas que não são exatamente tão matemáticas como gostaria? Chocolate suíço...
Há uma comunidade com uma escolaridade parcialmente afim, com um comportamento razoavelmente parecido que diz que sim essas teorias são boas e comprovadas e nos damos as mãos satisfeitos e confiantes, mas até quando? Às vezes a fim de sermos poupados dos pensamentos intrincados que não alcançamos e por conta dessa ignorância nos deixam angustiados, deixamos nas mãos e idéias de outros aquilo que deveríamos perscrutar ou simplesmente não. Nossa mente inquieta está sempre buscando motivos “para”, esquecida de que tudo é uma questão de tempo antes desse mesmo tempo parar completamente e varrer nossas dúvidas e certezas para um outro qualquer lugar onde nada disso terá mais qualquer importância. Mas dito isso, o livro não foi escolhido a esmo, seus autores levam em consideração mais do que simplesmente conhecimento científico intelectualmente adquirido, consideram o conhecimento experiencial, empírico, não conflitante. Sempre fico claustrofóbica com coisas absolutas e inflexíveis, a experiência é sempre uma fonte de prazer e a pesquisa uma brisa no deserto pela simples pesquisa e se os resultados além de tudo forem positivos por mais temporários que sejam cumpriram seu papel como que esvaziando um pensamento que ocupava todo o pulmão cerebral impedindo a entrada e saída de ar.
A angústia não é uma constante em nós, talvez um sujeito latente e temeroso apenas que nos assalta quando perplexos nos deparamos com o tempo e com as certezas de um caixa mal fechado onde as contas “não batem”.
Então leituras assim embasadas em experiência e ciência nos convidam não à fé cega, mas ao risco do entendimento. Não necessariamente oferecem soluções, mas ilustram possíveis manejos com novas ferramentas.
Eu acho que a genialidade de Picasso está principalmente no fato de entendendo profundamente de artes clássicas tê-las não abandonado, mas incorporado a uma possível nova leitura das pinceladas de muitos mestres de várias gerações, tornando a arte um lugar mais flexível e improvável, e, portanto, mais democrático.
Não seremos nunca unânimes enquanto observadores, mas podemos caminhar em direção da paz e consequentemente da felicidade.
O nome do livro é Embracing Mind, de Alan Wallace e Brian Hodel, em inglês apenas, eu recomendo a leitura!

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