Não é o que o título é super sugestivo e nove entre dez mulheres vai concordar?
Muitas mulheres afirmam, com muita experiência no assunto, que pelo menos 3/3 dos homens que passaram por sua vida eram antes de tudo mentirosos profissionais ou semi.
É verdade que olhando para muitos é possível perceber a impressão digital de uma mãe que mimou mais do que o necessário ou abandonou mais do que o recomendável, enfim, criou um inseguro de carteirinha que se alimenta de suas próprias estorinhas “enganando” muitas vezes mocinhas ou nem tanto que por ingenuidade ou expectativa de um final feliz ainda acreditam que beijando um sapo vão transformá-lo em príncipe.
Cinismos à parte, é impressionante como em pleno século XXI ainda seja possível encontrar fãs dos dois lados desse modelo tão antigo e fora de moda de se relacionar, pero que los hay, los hay...
Mas, por outro lado, talvez as mocinhas inocentes também nem sejam tão ingênuas assim e como formigas incansáveis em seu oficio procurem aquilo que a natureza ou seus pais idealizaram para elas; um bom marido, muitos filhos para coroar sua relação e para fechar o pacote “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe”, com todo o respeito parece uma condenação sem volta...
Tudo bem que para efetivar a conquista os pavões abram um leque de opções coloridas para encantar uma possível consorte, mas chega uma hora em que o leque precisa baixar, e cá entre nós, só mesmo o James Bond não se descabela com a pequenês do cotidiano. Se por um lado a relação está uma droga, por outro, lá fora, o mar está cheio de peixes para pescar e como o ditado diz: mais vale um pássaro na mão do que dois voando, e como não fala nada de peixes, à pescaria então.
Dito tudo isso, a verdade é que o título da crônica tem pouco a ver com esse assunto, na verdade o título é do livro de Alberto Manguel que faz um lançamento hoje à noite na Travessa do Leblon. A resenha é a que se segue.
O ponto de partida deste romance é a história secreta de Alejandro Bevilacqua, misterioso autor de um único livro, que se matou no exílio em Madri. O escritor desperta a curiosidade de um jornalista francês, que decide escrever um livro sobre ele. As fontes são quatro pessoas que conviveram com Bevilacqua e prometem revelar segredos importantes.
O primeiro narrador tem o nome do próprio romancista: Alberto Manguel, uma espécie de alter ego homônimo. Em seguida, quem fala é Andrea, a última companheira de Bevilacqua; o jornalista recebe também uma carta de Chancho, ex-companheiro de prisão do escritor na Argentina. Por fim, a narrativa fragmentada e aparentemente ébria de outro exilado em Madri, Tito Gorostiza, irá trazer à tona graves segredos e levantar suspeitas acerca da morte de Bevilacqua.
O perfil do escritor, entretanto, permanece incompleto e obscuro. Resta então uma última surpresa: enquanto o jornalista constata a impossibilidade de montar o quebra-cabeça das lembranças alheias, confundido entre equívocos e mentiras, Alberto Manguel demonstra com maestria a possibilidade de um romance dar vida nova ao passado - uma vida verdadeira, apesar de ficcional.
( Companhia das Letras- http://www.companhiadasletras.com.br )
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