terça-feira, novembro 10, 2009

Geisy Arruda

Maria da Penha (também conhecida como Leticia Rabelo) Maia Fernandes virou lei de número 11.340 em 7 de agosto de 2006.
Continuamente agredida, Maria da Penha foi durante seis anos vítima do marido, sofrendo em 1983 uma tentativa de assassinato com arma de fogo que deixou-a paraplégica.
Depois disso ela ainda sofreu outro atentado; dessa vez ele escolheu eletrocução e afogamento na tentativa de assassiná-la.
Esse homem só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado.
O que nós vimos em São Paulo foi uma demonstração de vandalismo inominável, de desrespeito absoluto, e, feliz ou infelizmente deixou de bunda de fora a venda de diplomas a varejo que é feita por atacadistas da educação.
Porque o país é mal educado? Porque um diploma a qualquer preço ‘’define’’ a capacidade de um cidadão!
Fechar os olhos para a expulsão de Geisy seria conivir com um comportamento animal contra o qual as mulheres vêm lutando há séculos!
Não vamos esquecer que até bom pouco tempo nós mulheres tínhamos acesso negado a escolha de concepção ou não, que diz respeito diretamente a nós!
A pílula é uma conquista recente, assim como o voto feminino.
Mulheres, não há muito tempo,eram impedidas de atuar no teatro como atrizes.
Ao invés disso, homens travestidos as representavam no palco.
Mulheres escreviam sob pseudônimos masculinos, mulheres não assumiam papéis políticos ou executivos e nem usavam calças compridas, eram mantidas na cozinha...
Sofremos durante séculos toda a sorte de agressão física e moral, e talvez apenas por competitividade mulheres durante séculos foram tratadas como cachorrinhos de estimação a quem homens às vezes se lembravam de atirar uns ossinhos!...
Para a uniban teria sido mais lucrativo punir uma moça de 20 anos que ‘’feriu a ética da universidade’’do que tomar qualquer atitude contra setecentos vândalos que alimentam seu apetite pantagruélico na venda de diplomas de valor discutível...Mas..

2 comentários:

Roberto Carvalho disse...

Realmente esta atitude da Umiban foi um absurdo, um falso moralismo de reitores. Tarado, pedófilos, e não assumidos punindo uma jovem.

Isabel disse...

O episódio me remeteu a uma passagem da entrevista do Gabeira ao Pasquim em 1978, em que ele tenta tirar do enfoque da tortura política a questão da punição - "Não podemos pensar uma punição dos torturadores antes de fazer uma divulgação ampla do que foi a tortura no Brasil, para que essa punição seja sentida por todos os setores que estão lutando por uma democracia. (...) Dei esse enfoque sobre a tortura porque tenho medo de que acabe a tortura aos presos políticos e continue a tortura geral nas cadeias. (...) Somos contra a tortura geral".
Acho que falhamos. A consciência, com que ele se preocupou há 30 anos, não se enraizou... Um cenário que não vai se alterar - me espanta que diante da violência dos colegas (endossada pela universidade), a pauta de muitas discussões limite-se à conveniência da saia curta...