quinta-feira, novembro 12, 2009

AINDA SOBRE SURDEZ

Barulhos podem ser como despertadores que nos trazem de volta pro agora nos momentos em que distraídos divagamos entre o passado e o futuro e quando percebemos já horas se passaram e temos quase uma obra completa publicada na cabeça, distraídos que vamos nos deixando levar.
Fiquei pensando depois que passei na porta do INES que um deficiente auditivo tem que manter constante um certo estado de alerta, estar bem presente naquilo que faz ou o que faz pode se tornar uma ameaça já que não é advertido por sons, enquanto nós que escutamos podemos nos dar ao luxo de estar completamente alheios a tudo e parecer que estamos ali, corpo e alma presentes, mas com a mente divagando.
O problema de estarmos entretidos com outra coisa que não seja o presente, é que estamos desperdiçando a vida tal como ela é em detrimento de divagações passadas ou planejando ações futuras que podem vir a ser ou não.
Tudo o que temos, o nosso campo de ação, está no presente, e como passa rápido...
No passado ou no futuro não podemos resolver e nem realizar nada, mas somos insistentes, é uma questão de hábito que quanto mais repetido mais se repete.
Como este é para mim um aprendizado recente nem sempre me lembro dele, então às vezes quando o barulho do trânsito ou de uma obra ameaça me irritar lembro que o barulho interrompeu apenas mais uma divagação, mais uma força do hábito, então paro e respiro.
Me concentro no ruido e escuto simplesmente.
Vou trocando de barulho à medida que um se sobrepõe ao outro, vou ouvindo e respirando no ritmo do som, até que som e respiração se tornam um e relaxo.
Respiro simplesmente e retorno ao momento presente.

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