Participei há mais de um mês de palestras de um grande mestre budista; Mingyur Rinpoche, que dentre as muitas coisas sábias que nos falou, apontou para dois dos sofrimentos básicos desta vida: um derivado do nascimento, envelhecimento, doença e morte e o outro, criado por nós, relativo às emoções e ilusões que alimentamos em relação às coisas que acreditamos serem verdadeiras por si mesmas.
Nada é verdadeiro por si mesmo,quer dizer: sem qualquer influência externa, senão vejamos...
Ao olhar para um copo acredito que ele tenha sempre existido como tal, porém isso é uma percepção superficial da realidade.
Um copo existiu primeiro na forma de idéia.
Alguém, talvez por necessidade, tenha imaginado um recipiente para colocar água e beber, depois imaginou a forma que teria e que uma vez imaginada necessitou juntar componentes para sua composição até que forma e conteúdo ideais fossem agregados para criar um objeto físico.
Nesse estágio talvez já tivessem batizado o objeto com o nome copo, de forma que quando esse objeto chegou até nós, formado primeiro por uma idéia, depois por uma forma e a seguir por um nome, achamos que foi copo o tempo todo desde o começo, sem as etapas necessárias desde a idéia primária até a sua composição final, e é dessa mesma forma que julgamos as aparências que chamamos de realidade em nossas vidas.
Acreditamos que a aparência represente uma verdade final em si mesma e não uma série de eventos e condições que sob circunstâncias especificas toma certa forma.
Complicado? Aparentemente sim, mas podemos averiguar esse movimento de forma prática em nosso cotidiano.
Aqui entra o exemplo do segundo sofrimento, aquele sofrimento que criamos por não darmos um espaço, um distanciamento entre a ação e a reação.
À medida que agimos impulsivamente, recorremos de forma repetitiva a um banco de dados emocional que já pode estar ultrapassado há muito tempo sem que tenhamos percebido, e nesse ritmo ficamos defasados, parados no tempo, sem amadurecer o suficiente para compreender o que realmente está se passando à nossa volta.
Para enfrentar novos desafios é preciso dar espaço a novas idéias, o que definitivamente depende de nossa disponibilidade.
Gosto muito de um comercial da TV que diz que o mundo não tem respostas a nos dar, mas perguntas a oferecer.
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