segunda-feira, novembro 16, 2009

CAOS E ORDEM

Temos uma persistente e estranha vontade de transformar o caos em ordem, como se ordem e caos fossem de per si positivos ou negativos ou como se pudéssemos ter o controle sobre todas as coisas e elas se submetessem a nossa vontade.
Na mitologia grega, Caos era o estado não-organizado, o Nada, uma vacuidade de onde todas as coisas surgiam. Um pré estado de coisas se assim pudéssemos defini-lo.
Chronos, a personificação do tempo, deu origem a Caos que formou um enorme ovo de onde nasceram o Paraíso, a Terra e Eros.
Ou seja: quer queiramos ou não, o caos faz parte de nosso cotidiano de forma natural e incontesti.
Caos e incerteza são eventos inexoráveis e, no entanto, passamos a maior parte de nossas vidas tentando evitá-lo. Seria cômico se não fosse trágico inferir que passamos a vida fugindo da própria vida com medo do que ela possa nos causar.
Nos agarramos a memórias passadas desesperados para que permaneçam ou que retornem ao que já foram um dia, mas memórias simplesmente nos escorrem por entre os dedos, porque nada permanece tal como um dia foi, tudo é impermanente.
O caos é a revolução, a revelação e a loucura, o que antecede ether, o ar que respiram os deuses ou gás que alucina os homens.
O caos é o pai da imaginação, o que estala os dedos entre trevas e proclama Fiat Lux e a claridade se faz.
A sabedoria popular diz que depois da tempestade vem a bonança, mas se não damos espaço para a tempestade...

"O Caos não tem estátua nem figura e não pode ser imaginado; é um espaço que só pode ser conhecido pelas coisas que nele existem e ele contém o universo infinito."(Frances A. Yates)

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