domingo, abril 17, 2011

Alimentando corpo e alma

O sábado foi regado a vinho chileno Casa Silva carmenére e petit verdot , ambos acompanhados de sanduíches muito saborosos e bem harmonizados, pena que a sobremesa não foi essa cocada toda porque é preciso um doce bem bacana pra fechar todo pão e vinho saboroso. Pena também que o lugar não confortou o espírito como talvez esperássemos. Tudo bem correto, mas carecendo de alma justo quando entre enlevadas e desconsoladas saímos eu e minhas amigas Nani e Silvana do filme Homens e Deuses que eu talvez não possa recomendar a todos, não porque eu não tenha gostado, mas pelos comentários que fui entreouvindo entre um bocejo e outro, entre um muxoxo e uma intervenção logo que um silêncio se insinuava. A Bia, Junqueira, atriz amiga, fala de silêncio nas suas aulas, de gestos tênues de olhares furtivos apenas, mas que valem por diálogos inteiros, e lá estavam todos esses sinais e uns quantos outros afagando a contrição de alguns de nós enquanto outros devaneavam em francês como se ali fossem os únicos que soubessem ler e falar ou como quiçá nós pequeninos mortais não pudéssemos escutar... O filme rodou muitas vezes mais em nosso pensamento um pouco embriagado de vinho e contentamento e depois, depois o descanso a que todo guerreiro tem direito e que é sempre necessário.
Isso tudo na véspera de domingo que sem lenço e nem documento terminou por nos levar para o centro da cidade dispostas que estávamos a desbravar uma Rua do Lavradio cheia de tesouros incontáveis, mas que para nossa surpresa apenas hiberna depois de um sábado atribulado. Ainda chegamos a tempo de ver uma garrafa de vidro se espatifando depois de um lançamento espetacular feito por um travesti na direção de quem o chacoteava. Mas se os ventos ali nos levaram, pra que discutir? Seguimos viagem.
Carro estacionado perto do Paço Imperial e a intenção era ficar, mas o Arco dos Teles tem uma sedução impressionante mesmo quando quase tudo está fechado, que não se pode e nem se quer resistir e fomos andando sobre pedras dantes pisadas por marujos e comandantes, mercadores e barões e só paramos para admirar o Cais do Oriente que é um restaurante lindo e quase à beira do cais, mas não completamente. Entramos por um bocado prometendo voltar para a sobremesa e já que ali estávamos porque não entrar no centro cultural dos correios por uns instantes? Fernando Pessoa e os heterônimos no segundo andar e no terceiro os poetas brasileiros e seus ilustradores, a visita não foi demorada, mas com a alma lavada fomos para a Casa França Brasil comer no bistrô minimalista, comme Il faut, espaguete de quinoa refogado com abobrinha, berinjela e cebolas, tudo finamente fatiado e servido com lascas de parmesão e escondidinho de camarão. A sobremesa foi uma orgia de pequenos doces mais interessantes do que propriamente gostosos, e para fechar o circuito uma browseada final no CCBB, o Sivuca ia aprontar lá, mas não deu pra ficar já ia ficando bem tarde e a lua cheia em libra já ocupava parte do céu da cidade avisando que o domingo estava por terminar...

2 comentários:

Unknown disse...

como são bons esses passeios no centro do Rio, em dia de calmaria.

ina gracindo disse...

é verdade, pode-se quase voltar a um tempo perdido...