sábado, agosto 14, 2010

Mirei no que vi, acertei no que não vi

Quando escolhemos por querer ou mal querer, optamos pela projeção de alguma coisa com a qual nos identificamos ou repudiamos no outro.
Às vezes são coisas invisíveis aos olhos, mas não às emoções e então, de repente, sabemos o tudo de bom ou de ruim sobre o eleito grande (ini)amigo de infância de 10 minutos atrás e toda uma estória de vida criada nesse espaço de tempo se desenrola e se confunde com a realidade. Porém aquilo que achamos ver ali, não é senão uma personagem criada que inevitavelmente em algum momento vai nos desdizer ou decepcionar, porque na verdade não a estamos olhando com seus olhos, mas com os nossos.
Olhando dessa maneira é possível ver como muitas vezes de forma imperceptível lidamos com amigos e inimigos exatamente da mesma maneira e a felicidade vista dessa forma realmente não tem qualquer chance de sequer acontecer, o que dirá de durar.
Muitas vezes nos consideramos altruístas, mas é preciso esquadrinhar bem a motivação de nossos atos que nem sempre é exatamente generosa. Nada de errado em afagar os nossos, ao contrário, apenas deveríamos nomear bem os bois, para podermos contabilizar corretamente o nosso gado.
Nesse momento temos ao alcance das mãos muito daquilo que acreditávamos pudesse nos trazer felicidade; comunicação ilimitada, bens de consumo, possível longevidade, e, no entanto, talvez nunca tenhamos sido tão ansiosos e angustiados, tão cheios de expectativas e medo, tão desesperados por, e tão distantes da felicidade sonhada.
Os meios de comunicação nos tornaram reféns diários de corrupções, guerras e assassinatos e a cada dia que passa nos escondemos mais atrás das telas de nossos gadgets em infinitas redes sociais, morrendo de medo de lidar com a vida simplezinha que a cada um nos cabe, mas onde paradoxalmente um simples não tem o potencial de se transformar num gatilho de revólver ou comprimido de prozac.
Reféns de expectativas inatingíveis e impregnados de toda sorte de propagandas, estamos prontos a nos deixar convencer que a felicidade está a apenas um palmo de distância, mas nos deparamos inevitavelmente com muitos mais palmos ainda por serem desbravados. Será mesmo necessário?
Solitários, conectados a outros milhões de iguais, na rede podemos assumir vários personagens sem a necessidade de grandes cuidados, mas como se faz quando é preciso sair desse aquário e investir e se aprofundar de verdade?

Nenhum comentário: