‘’Por meio de um complexo raciocínio baseado em premissas e conclusões logicamente necessárias, Descartes concluiu que podia ter certeza de que existia porque pensava’’.(Wikepedia)
Na meditação diferentemente do que se imagina, não existe uma expectativa do não pensar, mas de aprender através de técnicas de relaxamento a observar os pensamentos com algum distanciamento, sem se envolver tão completamente a ponto de perder o fio da meada.
Contemplá-los simplesmente.
Contemplar significa observar e também presentear, premiar, no português.
A contemplação pode nos surpreender com insights profundos de um conhecimento vivencial e experiencial que a teoria ou livros não podem proporcionar.
A meditação não pertence a qualquer religião embora as orientais a tenham adotado como prática desde sempre, talvez porque seus povos dediquem mais concentração àquilo que fazem em seu cotidiano.
Penso, logo existo da forma como penso.
Temos como limite o observador, aquilo que é observado e a forma como é observado e dependendo de nossos limites, e sempre vamos ser limitados, nossa vida e entorno tomam um rumo determinado.
Buscamos alguma coisa o tempo todo sem saber exatamente o quê, então buscamos insaciável e eternamente alguma coisa para preencher o vazio, porque é da nossa natureza querer sempre preencher o que achamos que seja tempo e espaço, e com isso muitas vezes terminamos por fazer coisas que não queremos, ficando enredados num emaranhado de culpas e stress sem fim.
Buscamos o que não conhecemos e por isso aquilo que conquistamos não é duradouro e nem suficiente.
Mais à frente, já aliviados, voltamos a procurar num ciclo ‘cachorro procura rabo que procura cachorro’.
Podemos criar sanidade ou loucura, saúde ou doença, ódio ou amor, tese e antítese, prós e contras, a existência de um, baseada na inexistência do outro.
Mas podemos também simplesmente contemplar, talvez não o tempo todo, mas às vezes, e nesses às vezes encontrar conforto.
Encontrar um lugar de silêncio dentre os barulhos internos e ficarmos por uns momentos apenas como se estivéssemos sentados no cinema, só observando as cenas, sem interpretar nada, olhando a forma, o som, a sensação do jeito como ela passa, fora ‘do mim’, do lado de fora.
Imolamos um criador para nos tornarmos ‘sua imagem e semelhança’, talvez para nos encontrarmos com o criador interior e assim compreender, quem sabe, aquilo que realmente estamos buscando e a melhor forma de encontrar a maneira de ser feliz.
Um comentário:
Ina!!! amei! voltei de um retiro de vipassana e nao poderia me identificar mais com que escreveu! parabens e obrigada
beijao e saudades
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