Hanami é um filme de uma delicadeza lírica que aproxima sutilmente dois silêncios aparentemente diferentes: o alemão do japonês, que ao final terminam de alguma forma falando a mesma língua.
É a estória de um amor que não cabe em uma única vida, mas que a própria vida se encarrega de minar mesquinhamente.
Trata da inibição e da repetição que nos leva à mesmice cotidiana e nos impede de perceber a grandeza das coisas que estão tão intimamente ao nosso lado e que achamos vão durar para sempre, e deixamos de explorá-las e de participar daquilo que são,como são, porque simplesmente acreditamos que vão estar lá, para sempre.
Trata do rigor com que ambas as culturas se manifestam na busca da perfeição.
Trata das certezas e da fragilidade diante das quais ficamos indefesos e perplexos.
Trata da impermanência de todas as coisas, das sombras que todos carregamos, mas sem saber como dialogar com ela.
Da elegância e do patético. Do mestre que norteia o aluno através do gestual constrangedor que apenas um grande amor é capaz de experimentar, de se aventurar.
Lírico, poético, singularmente belo, Hanami tem que ser visto quando o tempo está à favor. Quando se pode apreciar tanto o florescer das cerejeiras que marcam o fim do inverno e o início da primavera no Japão quanto o verão que chega nos jardins do Instituto Moreira Sales.
O ingresso custa apenas R$10,00, a inteira, o lugar é poético e inspirador.
A sala de cinema tem o frio necessário pra esquecer o verão grudento do lado de fora e depois aproveitar o fim de tarde sentado na varanda que traz uma brisa fresca cheirando a mato e um barulhinho bom da cascata que corre nos fundos do jardim projetado.
Quer ver um pouquinho do filme? Vai lá no: http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2009/12/24/0402306AD8A173E6.jhtm?trailer-do-filme-hanami-cerejeiras-em-flor-0402306AD8A173E6
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