Lembro de ter ficado surpresa quando a ex-mulher de Michael Douglas pediu o divórcio alegando que ele era adicto a sexo. Depois de anos de casada e ter tido filhos com ele o que realmente a incomodara a ponto de abrir dessa forma sua privacidade para a imprensa ávida por fofocas?
Traição certamente.
A adição tomara contornos além do permitido e a exposição talvez tenha sido a única forma que encontrou para se defender do ‘puritanismo’ americano sem ser crucificada.
Não é muito fácil aceitar que todos temos comportamentos viciados, a substância que se segue a esse vício é que nos torna socialmente condenáveis ou não.
Criamos um Deus para imolar, porém muito antes de alcançarmos as condições necessárias para reproduzirmos sua imagem e semelhança tornamos Deus tão humano a ponto de criar adesivos e camisetas com dizeres que o tornam apenas um colega, ou então nos tornamos fundamentalistas sob alegação de o estarmos protegendo.
Me pergunto se sem essa defesa Deus conseguiria sobreviver...
O que não nos liberta do vício talvez seja trocar um vício por outro simplesmente.
Em busca da cura, a meio caminho ou desde o começo talvez eu me vicie no que deveria ser meu remédio. Talvez me vicie no terapeuta, ou no médico ou no pastor ou no mestre, esquecendo novamente que o que me levou a uma nova tentativa foi tentar compreender aquilo que me aflige, a necessidade de ser eternamente satisfeito, (eternamente criança?!)
Porque senão vejamos: à medida que crescemos e nos tornamos adultos, a experiência da infância inevitavelmente se desfaz e na tentativa de trazê-la de volta ou evitá-la, não deixamos que o processo natural de amadurecimento aconteça em sendo assim, simplesmente não podemos nos curar.
Num gesto extremo de recriar uma infância que não teve, Michael Jackson inventou para si a terra do Nunca, o universo do Peter Pan, do menino que nunca cresce.
Muitas vezes o que aparentemente nos traz felicidade é o que nos aprisiona e angustia.
Talvez muitos poucos de nós tenham alcançado a felicidade verdadeira e se não se tornaram seres idolatrados, foram desprezados como exemplos de fracasso.
Vagamos como uma horda de crianças perdidas que não aceitam ser contrariadas e ao longo dos anos nos tornamos experts(ou viciados?)em opiniões que muitas vezes nem sequer refletem nossa realidade.
Impensadamente e apenas no intuito de sermos felizes, vamos criando estragos externos e internos por onde passamos e o que é mais triste é que já podemos ter perdido o expresso 2222 por que não enxergamos sua passagem, mas o tempo é impiedoso, passa.
Um comentário:
Muito bom Ina, aliás como os outros textos tb. Gosto muito do seu estilo, como gotas ou doses homeopáticas de sabedoria.
Bjs! Helá.
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