O filme ia começar.
Foram tantas as tentativas gauches de chegar sem sucesso...
Mas, finalmente cheguei, mesmo com a chuva de canivetes em São Paulo.
Besouro fala de nossa estória de colonizados e da dificuldade e vergonha de assumir a pele. Conta de um herói negro que vive e resiste no imaginário de nossa miscigenação.
Sentada na sala sozinha, pensei que a sessão ia ser só minha e aconteceu de ter um insight antes de outras pessoas chegarem e do filme começar.
Colhemos aquilo que plantamos?
Definitivamente.
Matemática simples.
Simplérrima, aliás.
É como se nos olhássemos num espelho que na maior parte das vezes parece embaçado.
Do outro lado desse espelho está o outro. É como navegar no mundo de Alice de Lewis Carrol. Olhamos para o(s) outro(s) e não nos reconhecemos nele(s), mas estamos lá o tempo todo! Naquele e naquilo que não queremos ver e que criticamos. Estamos lá!
Tão distantes de nosso ideal de vida enquanto não sabemos quem somos e apenas de forma superficial lidamos com aquilo que queremos, sem a menor certeza.
Porque então não é possível enxergar as coisas tal como são? Desprendidas de mim, e daquilo que eu acho?
Talvez porque acredite que meu ponto de vista é muito importante e sempre o correto...Ou porque acho talvez que corro o risco de desaparecer em meio a uma multidão e é por isso que minha opinião deve estar sempre em destaque e ter importância.
Acredito que manter minha opinião é muito mais importante do que conciliar, mais importante que calar às vezes quando minha adolescência tem urgência em falar e apontar a verdade, que convenhamos, não interessa a muita gente. Até porque se alguma verdade contivesse, algum fundamento, provavelmente haveria unanimidade, ou quase, a sua volta.
Não somos unânimes em nada, às vezes capazes de alianças, mas nem sempre...
http://www.youtube.com/watch?v=W2QgxB5xw-k 9 (trailer do filme)
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